08/11/2009

As Bicicletas de Belleville

Sensível, delicado, emocionante e bem humorado. Pronto, se fosse para resumir em adjetivos esse filme, esses quatro seriam os escolhidos. Mas eles limitam demais toda a idéia, então vou um pouco mais além.

Aparentemente, a animação narra a história de Champion, um ciclista que sonha se consagrar um campeão do ciclismo até que é sequestrado. Madame Souza, sua avó, acompanhada do cachorro Bruno, segue em busca do neto e faz de tudo para resgata-lo. E aí no decorrer do filme é que se vê que o amor da avó pelo neto é o grande ponto. E por ser exposto sutilmente (uma das sutilezas é o fato de o filme ser mudo), esse sentimento chega ao espectador de uma forma tocante.

Com traços geométricos bem peculiares, os personagens tem suas características bem demarcadas, mas não chega ao ponto de ficar caricato. É intrigante, eu fiquei pensando por que dos olhos do cachorro são tão pequenos em relação ao resto, assim como as pernas são extremamente finas, enquanto o corpo é grande e gordo. Não sei qual foi o motivo dessa e de outras escolhas, mas para mim todos os personagens passaram algum tipo de fragilidade e o desenho só reforçava isso, dando humanidade a eles, mesmo não sendo realista.

Outro fator que contribui para a beleza e a qualidade do filme é a música. Não digo apenas a trilha sonora, mas ao meu ver o papel da música e sua relação com os personagens tornam a história ainda mais mágica. Isso porque a Madame Souza acaba encontrando as Trigêmeas de Belleville, três velhas senhoras que foram cantoras de cabaret nos anos 30, enquanto tirava um som do aro de uma roda de bicicleta. Elas até se apresentam juntas em um número divertido, em que cada uma faz música com um instrumento inusitado: jornal, geladeira, aspirador e a roda da bicicleta. Antes mesmo desse encontro, Souza já demonstrava sua aptidão enquanto ajeitava a roda da bicicleta de seu neto com a ajuda de um diapasão (apesar de que quando tocava piano, o som não era lá muito agradável, para não dizer desafinado).

O filme dosa bem a carga emocional e dramática da história e de cada um dos personagens (inclusive os dramas e sonhos do cachorro) com a leveza e o humor que as cenas divertidas e aventureiras possuem. É um desafio e tanto para quem não está habituado com animações, filmes mudos e com um ritmo um pouco mais lento de se chegar em cenas de ação. Ou seja, ansiosos sofrem um pouquinho no começo, quando nada parece acontecer, mas aí se apegue aos detalhes do desenho, se prenda as alterações da trilha sonora e se deixe envolver com a Madame Souza – ela é apaixonante.

29/10/2009

Ainda tô lá…

DSC_0532Ilha Magdalena – Terra do Fogo – Patagônia

Foto minha

18/09/2009

Imagem da semana: Cartier-Bresson

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Aproveitando o “momento-Bresson” por conta da exposição, aí vai minha foto preferida dele. É de 1926.

Na exposição, tem essa e outras 132.

Sesc Pinheiros: Rua Paes Leme, 195 (tel: 11-3095-9400)

Até 20 de dezembro

16/09/2009

Chuva, livros e comédia romântica em Santos

Feriado 7 de setembro.

Previsão: chuva sábado e domingo, segunda-feira com sol.

Programação: 1. alugar filme; 2. baladas em São Paulo; 3. fondue com amigos; 4. Campos do Jordão; 5. Santos.

santoschuva

Escolhi a última opção, claro. Culpa da Tarrafa Literária, evento em Santos (SP) que tinha na programação Ruy Castro, Lourenço Mutarelli, Márcia Tiburi e Milton Hatoum. Na programação, um super incentivo para conhecer o centro histórico de Santos, que acaba de passar por reformas de revitalização. Eu gosto centros históricos combinados com atividades interessantes. Comprei a ideia e fui tomar chuva em Santos.

Acabei vendo apenas a mesa com o Lourenço Mutarelli no sábado e a dos jornalistas Jorge Caldeira e Laurentino Gomes no domingo. Entre as várias coisas divertidas que o Mutarelli fez e falou, como trocar Matheus Nachtergaele por Matheus Mastercard (“sempre erro o nome dele e aí acho que mastercard fica mais fácil”), achei interessante quando ele explicou um pouco da transição que fez dos quadrinhos para a literatura (“o desenho te induz para um caminho meio limitado. Com as palavras é diferente: você lê uma palavra e lê junto uma imagem, ela se cria, a palavra tem esse poder”).

“A arte é o distúrbio, o texto é quase o tratamento. Você bora pra fora e enxerga o problema”, disse ele se referindo ao fato de que textos mais autobiográficos tem uma função terapêutica. Até por conta disso, o que ele valoriza é o processo, o resultado não importa muito. “O valor para mim está no fazer, experimentar aquilo. Às vezes uma coisa que não é uma boa te encaminha para algo melhor daqui a três anos”.

E adorei quando perguntaram para ele sobre como ele criou seu estilo e ele falou: “minha falta de estilo é que criou meu estilo – é o que chamo também de deficiência”. É bacana pensar dessa forma, pois são as nossas limitações mesmo que vão dando uma forma pra aquilo que criamos. Tentamos um caminho, damos com a cara no muro, vamos para o outro lado até irmos construindo nossa própria trilha – ou aquilo que chamam de estilo.

Apesar de ter tomado chuva, ter ficado doente, ter escapado por pouco de uma balada sertaneja, andado exaustivamente pelo centro de Santos, conforme as dicas do release (e descobrir que não é só colocar postes retrô, iluminação bacana nas fachadas e banquinhos simpáticos nas praças que o centro fica menos perigoso para uma menina às 20h30 da noite), sofrer por não ter carregado comigo a máquina fotográfica para tirar fotos lindas do lado antigo da cidade todo molhado e iluminado por uma meia luz alaranjada…Curti a viagem.

Curti o hotelzinho capenga, mas que ganhou do conforto do meu lar por ter tv a cabo (assisti os clássicos da comédia romântica “Do que as mulheres gostam”, “Sintonia do Amor” e “De repente 30″. Só faltou o pote de sorvete), curti os botecos sujos na orla da praia, onde assisti o jogão do Brasil x Argentina…e curti a chuva, os anônimos, os livros e o silêncio. Mas Santos ainda me deve uma marquinha generosa de biquini, um camarão (decentemente) frito e areia, de preferência seca, nos pés.

Foto: Emilio Pechini – http://pechini.blogspot.com

11/09/2009

Per Raps!

Hoje faz um ano que meus amigos Daniel Cunha e Eduardo Ribas montaram um simples e modesto blog sobre rap. Ambos curtiam o mesmo som, tinham a mesma vontade de ter um espaço para escrever sobre o movimento hip hop, o cenário musical, novidades e textos reflexivos. Devidamente apresentados, diretrizes acertadas e ambições traçadas, lá foram eles e criaram esse espaço, o Per Raps.

perraps2Foram cavando contatos, metendo as caras, se apresentando, divulgando, produzindo e caprichando nos textos, no visual do blog e o negócio foi crescendo, chamando a atenção de quem curte e acompanha o movimento. Descolaram uma colaboradora, Nathalia Leme, que tá super por dentro da cultura de rua. Carol Patrocínio se juntou, fazendo várias entrevistas e até um especial do VMB, da MTV. Fizeram parcerias com o Bocada Forte e MTV. Po, quando vi, ó lá, já faz um ano que eles tão na atividade.

Parabéns pra eles! Sou suspeita pra falar, mas a real é que eu, como leitora, agradeço ao blog por me deixar por dentro das novidades. Eu que sempre admirei o movimento meio de longe, conhecia as coisas de forma bem superficial, já tenho aqui nos meus favoritos um endereço que sei que não tem erro. Vou aprendendo e conhecendo (ainda de longe, mas eu chego lá rs). Outra coisa que me admira é toda a pró-atividade, atitude e persistência de fazer acontecer.

Pra comemorar, o layout tá novo, bacana, o blog tá cheio de novidades e uma playlist firmezaça!

Vai lá: http://perraps.wordpress.com/

No twitter: @per_raps

10/09/2009

Serra Negra

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Guia de Serra Negra no UOL

A princípio pensei que não teria muito o que fazer por lá. Cidade pequena, pouco divulgada, mais uma do Circuito das Águas, mais uma que vende malhas, certo? Errado. Me encantei por Serra Negra, como há muito tempo não simpatizava por um lugar específico. Me lembrou Monte Verde, por causa do clima, por ter paisagens bonitas, cafeterias, queijos e vinhos (não tanto quanto Monte Verde, mas tem uma pegada mineira, sim).

Talvez o fato de ter um festival de música na cidade enquanto estive por lá tenha influenciado, mas o fato é que essa viagem me deixou meio sensível. Outra coisa que colaborou foi a atmosfera romântica do lugar. Visitei alguns hotéis para a matéria [um deles em especial, a Pousada Shangrilá (que apesar do nome, eu super recomendo pra luas-de-mel, tem suítes temáticas e fica no topo de uma montanha. Lindo!)], a maioria com chalés graciosos, rústicos, com lareira…flores e cheiro de vinho por todo o lugar. (perigoso para quem estiver de TPM ou numa pior após um fora – meu deus, que dica de Capricho, não?)

Eu que não gosto muito de animais, achei uma delícia passear pelas fazendas do circuito de turismo rural, visistar cafezais, acompanhar o processo de fabricação de queijos (aí entram os animais, no caso, vacas) e vinhos, uma coisa meio bucólica que eu achava sem graça, mas que (lá vem o clichê) no meio dessa correria de São Paulo, essa pausa e o contato com a natureza são muito bem vindos. Tava muito frio para um banho de cachoeira, mas tem muitas por lá e todas lindas e bem conservadas É outro passeio possível.

Além do campo, o centro urbano mesmo é uma graça. As calçadas todas tem banquinhos simpáticos e tem várias praças com fontes de água mineral por toda a cidade. Charmoso. Pra quem curte fazer compras, lá também tem bastante opções, muitas lojas de malhas e artigos de couro, com preços ótimos e variedade de produtos.

É ideal para passar um fim de semana. Dá tempo de fazer tudo isso e ainda descansar. Ainda quero voltar lá em duas ocasiões: no auge de um namoro e num fim de semana que me der a louca para me enfiar na Cavalgada da Lua Cheia. Sim, tem uma turma que promove um passeio durante a noite a cavalo pelos sítios da região, com paradas para fazer uma boquinha, um luau em volta de uma fogueira enquanto rolam umas histórias folclóricas de terror. Deve ser sensacional.

Além de tudo…só escrevi sobre essa viagem porque foi lá que redescobri o prazer de viajar, de conhecer gente que dificilmente vou encontrar de novo, conhecer histórias de lugares aparentemente simples, mas cheios de beleza e sutilezas, de me (re)conhecer em lugares sem ser o meu quarto e a redação…e viver essas coisas que a gente vive querendo experimentar e não sabe nem por onde começar. E talvez lá tenha se iniciado um processo de destruição desse lado sem-sal, imparcial e sóbrio…se é que algum dia esse lado realmente existiu. Veremos!

30/08/2009

Livros para comprar numa segunda-feira pós plantão

70216671 – “Fanzine” – Fábio Moon e Gabriel Bá

Curto histórias no papel. Acompanho o blog do 10paezinhos, mas não me satisfaz. Quero ter, levar no ônibus e fazer arquivo com as histórias deles. Esses desenhos lindos e essas histórias poéticas…Recomendo!

26404462 – “A segunda vez que te conheci” – Marcelo Rubens Paiva

Cansei de ler sinopses das peças dele, ouvir comentários sobre seus livros e ler matérias. Quero ler ele. Na real, já tinha lido um só com contos sobre mulheres. Ficou o gostinho de “queromais”.

31253613 – “Cabeça a prêmio” – Marçal Aquino

Curti muito o “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”. Livro rápido e fácil de ler, com surpresas e amor no meio…pronto! Conquistada. E aí quero ler antes que saia o filme inspirado neste livro, que o Marco Ricca tá dirigindo.

608714 – “A mulher que corre com os lobos” – Clarissa Pinkola Estés

Indicação da Vera, amiga-terapeuta. Tem “mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem” (ui!). A Clarissa é junguiana e eu curto psicologia – curto ainda mais quando o foco é a mulher e o universo feminino.

110178975 – “Comer, rezar e amar” – Elizabeth Gilbert

É best-seller e eu tenho meus preconceitos. Mas muitos que já leram disseram que é bembom. E bom, pra tirar a prova, estou dando de presente para uma amiga. Vamos ver… Pelo menos, os temas “mulher” e “viagem” estão presentes e isso já o torna interessante – mesmo que seja pra virar alvo de críticas.

17/08/2009

Super Cool Market

Ouvi dizer que lá era uma mistura de grife e brechó. Lá compram coisas usadas, vendem e também produzem peças próprias. São três sócias que abriram a loja na rua Purpurina, no burburinho hype chic da Vila Madalena. Coincidentemente, tinha feito uma rapa no meu guarda-roupa no fim de semana e precisava me livrar das peças. Resolvido: é lá que eu vou!

As primeiras confecções são camisas xadrez (fem. e masc.)

As primeiras confecções são camisas xadrez (fem. e masc.)

Bom, o Super Cool Market é um espaço bacana, tá cheio de peças estilosas, retrô (mas não tanto do arco da velha, como a maioria dos brechós), diferentinhas e bem conservadas (por isso minhas blusinhas que já tinham bolinha de tanto que foram lavadas foram recusadas…além, é claro, de serem roupas que eu usava aos 14 anos…anos 90 né!). Tem bolsa e sapato também. O melhor é que tem peças ali que são de grife e custam bem mais barato. Pra quem liga pra essas paradas de etiqueta e tá na pior, cola lá, de repente, é uma saída… Mas o legal é que todas estão em ótimas condições, quase novas.

O que eu curti é que as sócias tem uma preocupação com a qualidade e com a identidadade da loja. Eu tinha até umas peças novas na sacola, mas não tinha muito a ver com a “cara” do lugar. Assim como outras que tinham, mas tavam manchadas ou laceadas. Ok, pode parecer frescura, mas assim quem vai lá sabe mais ou menos o que vai encontrar. E mais: o que elas compram de você, pode render ou uma graninha ou crédito para gastar na loja. Outra sacada legal é que, caso as peças que você levou não sejam aprovadas pelo pessoal da loja e você não sabe o que fazer com aquele monte de roupa, você pode deixar lá que elas doam para uma instituição (cada mês é uma instituição diferente que recebe as doações).

Os melhores dias para ir até lá é de dia de semana, de preferência lá pra quinta ou sexta; sábado bomba demais e no início da semana o estoque tá meio desfalcado por causa da galera que vai de fim de semana e faz a rapa. A Super Cool Market tem também um twitter, que presta um serviço legal, avisando quando peças novas chegam e o que está em falta, pro pessoal que tiver, levar lá pra vender, de repente. Ah sim, o mais óbvio: é precico paciência pra garimpar e fuçar todas as peças direito pra encontrar tamanho e preço satisfatórios.

Super Cool Market

Rua Purpurina, 219 – Vila Madalena

Tel: (11) 3031-1663

http://www.supercoolmarket.com.br/

10/08/2009

Réquiem

FOTO 6Sem saber do que se tratava a peça, o autor, diretor ou qualquer pessoa do elenco, fui sábado assistir “Réquiem” na Funarte atraída (confesso) por três motivos que geralmente norteiam minhas raras idas ao teatro:

1. Preço baixo (graças ao desconto do site Catraca Livre – taí a dica!)

2. Lugar diferente pra conhecer (Funarte: lugar bacana, com uns graffittis, bonito, espaçoso, aconchegante e perto do metrô Marechal Deodoro)

3. Companhia

Indicada a duas categorias do Prêmio Shell (melhor direção, pelo trabalho de Francisco Medeiros, e melhor figurino, de Inês Sacay), a montagem me chamou a atenção por guardar surpresas para cada cena.  A peça foi escrita pelo dramaturgo israelense Hanoch Lenin, que se baseou em três contos do escritor russo Anton Tchekhov. São 15 cenas curtas, mas quase não se vê a divisão entre uma história e outra. Todas se conectam de alguma forma, mas nada que pareça forçado ou muito óbvio. Os personagens se esbarram, o encontro entre eles ajuda a ilustrar melhor as respectivas histórias, mas é só. Nenhum entra na história um do outro de fato.

CHOR_OA linguagem também é inusitada. A cada diálogo, há falas paralelas à cena principal, como se o ator confessasse para a plateia o que pensa sobre a situação X enquanto ela acontece. À princípio, temi que ficasse didático e tudo o que acontecesse na peça recebesse uma explicação ou uma reflexão, o que tornaria tudo muito chato. Mas não. Até porque não parou por aí a mistura de formatos. Quando se pensa que está assistindo um espetáculo sóbrio, com poucas pitadas de humor, eis que surgem três personagens fantásticos, que trazem um aspecto lúdico para a história, com interferências cômicas e delicadas – nada de escrachado.

As histórias centrais tratam de perdas difíceis (da esposa e dos filhos) e a partir delas, os personagens revelam sua humanidade e sensibilidade, características muito bem camufladas, sufocadas e jogadas pra debaixo do tapete. E surgem os questionamentos: quando foi que começaram a deixar pra trás os desejos e os sonhos e viver no piloto automático? Quando foi que optaram por viver na inércia e se acomodaram de vez?

Bonito é ver o Velho, personagem previsível, automático, sem sal, de entonação cansativa, se desenvolver, ganhar cor, crescer, se humanizar, sofrer e seria exagero dizer? brilhar no palco, simbolizando essa libertação da rotina, do feijão com arroz, da vida vazia, sem propósito. Se é possível encontrar um propósito, obedecer desejos e ser feliz…não sei. Mas esse é um daqueles espetáculos que você sai com energia e vontade de mudar tudo de lugar pra deixar a vida melhor, sabe?

Réquiem

De sextas e sábado, às 21h, até 30 de agosto

R$ 10 – R$ 5 (meia-entrada)

Funarte: Alameda Nothmann, 1.058, metrô Marechal Deodoro – Tel: 3662-5177

Fotos: Divulgação

08/08/2009

É dia de feira

Lonas azuladas e alaranjadas compõem a maior parte do cenário, junto com caminhões, kombis e caixotes de madeira pra tudo quanto é lado. O verde predomina em tons que variam do quase transparente da alface americana ao tom mais escuro da couve mineira, mas perde pra variedade de cores das frutas, legumes, sem contar os chinelos e bugigangas diversas que a gente tromba entre um pastel e outro. A cada barraquinha que passamos, a gritaria frenética fica mais engraçada, criativa e ensurdecedora (apesar do alto nível de decibéis aplicado no grito, tem verdadeiros repentistas por lá!). Ah sim, tem também o cheiro de caldo de cana e pastel — a  característica mais particular de uma feira de rua.

C_2008261047411Sou fascinada por feiras! Menos pelo consumo (odeio fazer compras), mais pelo passeio, pela variedade de pessoas, tranqueiras e delícias. E muito pelo clima de fim de semana. Tudo bem que tem aqueles micro traumas de infância de ter que ir com a mãe porque TEM-QUE-IR (e aí levava bronca por causa da cara emburrada), ou então aquele cachorro pulguento que cismou com você, não te largou e te assustou…Sem contar o lixo e o cheiro que fica a rua pós-feira. É, quem mora numa rua que tem feira deve sofrer. Mas no meu caso, é só diversão!

Sempre rolam uns encontros inusitados com a mãe da sua amiga da terceira série, ou ainda aquele ex-namorado de outra amiga que já foi pra Febem (ok, vamos situar o leitor: estamos falando de feiras da zona sul, nada de Pompéia e outras áreas mais favorecidas) até amigos das antigas mesmo. Ah, sem contar, claro!, as novas amizades, porque os moços das barraquinhas são uma simpatia que só (na maioria dos casos). Eles cantam, te cantam, te fazem “aquele preço bacana”, te dão um pedacinho de manga pra provar, fazem piada, só alegria!

É como se a atmosfera do interior, de outras épocas, de outros cantos, invadisse seu bairro. Essa integração, a movimentação, os encontros sociais desse tipo, com tamanha descontração, só acontecem em feira mesmo! As feiras trazem um pouco de caos pro lugar porque transforma o espaço, tira tudo da rotina, uma loucura. O engraçado é pensar que a feira, que é uma forma de comércio antiga, não é mais “a” rotina e hoje já está quase sumindo. Os megasupermercados e suas geladeiras, eletrodomésticos e caixas infernalmente lotados tomaram o lugar da interação na rua, dessa coisa gostosa que é ir pra feira sábado de manhã.

Foto: Studio Milton Dória