Hotel Mundo

“Eu vou de um quarto para o outro aqui e vejo camas bagunçadas depois do amor e do sono, depois camas limpas e feitas, esperando de novo que corpos escorreguem para dentro delas; lençóis frescos dobrados, camas com a boca aberta dizendo bem-vindo, anda, entra aqui, o sono está chegando.

As camas são tão tentadoras. Elas abrem a boca em todo o hotel toda noite para que os corpos se metam nelas uns com os outros ou sozinhos; todo mundo com o coração batendo, escorregando para dentro de espaços que outras pessoas deixaram vazios para elas, pessoas que foram sabe Deus para onde, que esquentaram esses mesmos espaços poucas horas antes”

Trecho do romance “Hotel Mundo”, de Ali Smith, livro que eu encontrei sem querer no Rio e adorei.

São histórias que se passam num hotel. Histórias que se esbarram e se complementam, mas não é suspense. É romance. O legal são as histórias.

Todas são contadas por personagens femininas bem diferentes umas das outras, até no estilo da escrita – na quantidade ou ausência de vírgulas, parágrafo ou até vogais.

Essa descrição de cama, por exemplo, é de uma personagem que acabou de morrer e que fala das coisas com tanta saudade do sabor, do cheiro, da cor que te faz visualizar direitinho o que está sendo descrito.

É o tipo de livro que eu adoro, por ter muita descrição e observação de personagens que não chegam nem perto de serem coadjuvantes. É tipo focar a luz no corpo de baile do musical.

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