A história de Lily Braun

Me apaixonei pela versão da Maria Gadu para a música do Chico Buarque e do Edu Lobo. Olha aí:

“(…) Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse xiiiis
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz (…)”

Sobre a cantora: li coisas positivas no começo até que vi que ela tinha regravado “Baba Baby” e nem quis ouvir o disco. Bobagem minha. Vi que tinha música fazendo sucesso, o tal “Shimbalaiê” e pensei: ainda bem que não ouvi. Outra bobagem. O disco é uma delícia, tem uma pegada acústica que eu gosto. É uma música orgânica e um pop gostoso, nada muito grudento. Leve, light. Além dessa, tem outras bem bonitas da própria: “Escudo”, “Laranja”, “Encontro” e “Bela Flor”. A voz rouca e de timbre médio trazem ares de novidade, já que a maioria das novas cantoras são todas mais agudinhas ou padrão Ana Carolina. A figura bem masculina dela parece trazer uma áurea de Cássia Éller, mas é mais pra Marisa Monte o som.

Sobre o compositor: teses, livros, tudo já foi feito, dito e repetido sobre o Chico. Mas essa música é só um exemplo de como o cara consegue trazer tantas imagens e contar uma história numa música de um jeito poético. Não precisa narrar. E a música é toda fotográfica, cada verso eu já visualizo uma foto. E dá-lhe metalinguagem: a canção vem com “zoom”, closes e xis. Renderia um conto, um curta, mas a música já dá conta. Lindo.

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1 comentário

Arquivado em Drinks

Uma resposta para “A história de Lily Braun

  1. Dé, não gosto do Chico. Não, não gosto. Pode me condenar ao inferno por isso… não encontraria muitos dos meus queridos no céu de qualquer maneira. Gosto dessa música. Como gosto de algumas outras do Chico.

    A Gadú… Gosto muito dela. Ela, como todas as cantoras caminhoneiras desse nosso Brasil, me comove. Eu gosto dessa pegada meio acustica que você disse. E musicalmente eu valorizo muito esse povo que pega coisas como baba babe e transforma em música. Essa é a magia. E eu gosto de quem pratica essa arte. Arte, isso sim é arte, é transformar, dar outra cara. Gosto de gente que me faz conhecer e prestar atenção em músicas como Lilly Braun… que eu jamais escutaria se pra isso fosse preciso encarar um show, ou mesmo um CD inteiro, do Chico. Gosto da Gadú e tô muito curioso pelo próxio trabalho dela. Sem pressão, só curioso pra ver como ela vai me surpreender dessa vez. E como a vida tem me surpreendido. E você já ouviu o que fez com Ne Me Quittes Pas?? Incrível… só perde pra versão do Sting….

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