Pa’ La Habana yo me voy

Parque de los Enamorados, no Malecón em Havana Velha / Foto: Andrea Dallevo

Se tudo der certo e minha habitual desorganização não contaminar os planos das férias, sim, vou para Cuba no fim do ano. Nunca tive grandes pretensões de sair do país (até começar a trabalhar com viagens e pirar nisso todo dia), mas essa é o que posso chamar de “viagem dos sonhos”. Desde que conheci a história do país, depois ter me tornado uma adolescente “marxistinha”, até chegar ao ponto de achar tudo aquilo um absurdo, só tenho colecionado mais motivos para ir até lá. Seja pela música e pela cultura no geral, seja pela sensação de voltar no tempo (que imagino que terei lá) e conhecer uma forma de organização da sociedade completamente distinta da nossa.

Mas confesso que de uns meses pra cá estive um pouco desanimada. Conversei com um cara que já foi e ele me lembrou daquela história de que os cubanos caem matando em cima dos turistas, pedindo “dóla, dóla, dóla” ou um sabonete qualquer. Aí lembrei também que não sou mais “marxistinha” e ouvi um lado meu, bem egoísta, gritando “mas eu queria um pouco de paz na viagem!!!”. Bom, se eu quero paz, eu que vá dormir…ou vá para o Tibet meditar, sei lá.

Eis que conversei com a minha prima que já foi e ela me deu uma injeção de ânimo de novo. Me indicou casas de famílias que a hospedaram para eu também ficar. Eu já tinha desistido dessa ideia e ficaria em hotel mesmo, pelo menos nessa primeira vez. Um amigo até brincou com a minha frustração e disse: “ok, agora você fica em hotel. e na segunda vez, vai ser o que? vai pra rua e vai fazer revolução?”. Haha, é, na verdade era meu plano secreto…

E aí, para finalizar, resolvi comprar o livro da blogueira Yoani Sánchéz “De Cuba, Com Carinho”, que contém posts do blog “Generazión Y”, onde ela relata o cotidiano dos cubanos e faz várias críticas às limitações e controvérsias do governo do país. O que de repente frustraria meu lado marxista só me fez querer ainda mais ir pra lá. Seria legal até fazer parte de alguma revolução, como meu amigo sugeriu, mas minha única pretensão era observar. Tudo o que eu puder. Tentar não levar muitos julgamentos. Sei lá o que vou encontrar, se vou achar tudo horrível, tudo lindo, tudo sedutor, tudo tosco, não sei.

Sei que por enquanto a cultura ainda me fascina e agora, acompanhando frequentemente os posts dela (é a melhor coisa de livro de blogueiro: se é bom, não dá nem pra ficar triste, porque o blog continua), é que fico mais instigada para entender e ver como funciona, como as pessoas vivem, como falam, como se divertem, o que pensam e sentem. E como, mesmo diante de um governo tão complexo e autoritário, encontram força e alegria para cantar, dançar e criar.

Mais: Guia de Havana no UOL Viagem

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5 Comentários

Arquivado em Botecos

5 Respostas para “Pa’ La Habana yo me voy

  1. Que post bonito.
    Entre idas e vindas, balanços e desequilíbrios, acho que você tem MUITO que ir pra Cuba. Mesmo que seja pra não gostar, mas ao menos viver o sonho.
    E aí depois, bora partir pra outras realizações.
    =]

  2. Melissa

    Te conhecendo pouco como eu te conheço, acho que essa vai ser a viagem da sua vida. Com ou sem revolução na rua. (Aliás, vai praticando, porque se a Dilma ganhar a eleição, talvez tenhamos que fazer nossas próprias revoluções aqui, se não quisermos fazer fila para tomar sorvete.)

    Beijos!

  3. fellipefernandes

    e eu?
    e eu????????
    hahahaha

  4. Madri está na planília de 2011, gato! Quem sabe se sobrar dinheiro eu não adianto a viagem? 😉

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