Carros X Transporte público

Já vinha ensaiando tomar essa decisão há um tempo, mas dessa vez foi pra valer. Recaídas acontecem, mas juro que evito ao máximo e hoje até consigo controlar a frequencia: de duas em duas semanas. Mas repito: evito muito.

Sei que parece ridículo falar da minha relação com meu carro como falaria de um relacionamento amoroso, mas de fato parecia um namoro. E daqueles fortes, com brigas, altos e baixos, em que eu era totalmente dependente e tinha dificuldade de romper.

O que sei é que muita cosa mudou depois que “terminei com ele”. Além de ficar menos tempo sentada, fazer menos mal para o ambiente, ficar menos estressada, xingar menos pessoas, ler mais e ver mais gente (e, claro, presenciar situações engraçadas e inusitadas que dentro de um carro raramente é possível encontrar), percebi um outro benefício.

Andar de ônibus e metrô me força a esperar – seja no ponto, na estação, por um vagão vazio, por um lugar para sentar etc. Exercito diariamente minha paciência. No trânsito, eu também poderia treiná-la, só que seria difícil não ser de uma forma agressiva.

Dentro de um carro, com o volante em mãos e o acelerador pronto para entrar em ação, a gente se sente poderoso. E dirigir é ter um poder. Você controla (e potencializa) sua velocidade, escolhe os seus atalhos e caminhos, fura os dos outros, passa no farol vermelho…enfim, estar no comando de um carro nos dá uma ilusão de que tudo pode, tudo é possível.

Percebi ontem quando peguei o carro o quão louca é essa sensação de poder. Estava voltado para casa, sem pressa, curtindo dirigir em uma cidade sem trânsito (pelo menos até o fim do carnaval) até que percebi que só acelerava mais e mais. Claro que há um prazer em dirigir rápido mas…se eu não estou atrasada, se o mundo não vai acabar daqui a 5 minutos, se o bebê não vai nascer agora…por que preciso estar a 79km/h (quando o limite é 80km/h), na beira do limite?

Enfim, utilizar o transporte público para mim não teve nada de militância política, social ou ambiental. Acabou sendo a escolha mais óbvia para o momento e que só trouxe benefícios. O principal: pisar no freio e desacelerar.

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