Réquiem

FOTO 6Sem saber do que se tratava a peça, o autor, diretor ou qualquer pessoa do elenco, fui sábado assistir “Réquiem” na Funarte atraída (confesso) por três motivos que geralmente norteiam minhas raras idas ao teatro:

1. Preço baixo (graças ao desconto do site Catraca Livre – taí a dica!)

2. Lugar diferente pra conhecer (Funarte: lugar bacana, com uns graffittis, bonito, espaçoso, aconchegante e perto do metrô Marechal Deodoro)

3. Companhia

Indicada a duas categorias do Prêmio Shell (melhor direção, pelo trabalho de Francisco Medeiros, e melhor figurino, de Inês Sacay), a montagem me chamou a atenção por guardar surpresas para cada cena.  A peça foi escrita pelo dramaturgo israelense Hanoch Lenin, que se baseou em três contos do escritor russo Anton Tchekhov. São 15 cenas curtas, mas quase não se vê a divisão entre uma história e outra. Todas se conectam de alguma forma, mas nada que pareça forçado ou muito óbvio. Os personagens se esbarram, o encontro entre eles ajuda a ilustrar melhor as respectivas histórias, mas é só. Nenhum entra na história um do outro de fato.

CHOR_OA linguagem também é inusitada. A cada diálogo, há falas paralelas à cena principal, como se o ator confessasse para a plateia o que pensa sobre a situação X enquanto ela acontece. À princípio, temi que ficasse didático e tudo o que acontecesse na peça recebesse uma explicação ou uma reflexão, o que tornaria tudo muito chato. Mas não. Até porque não parou por aí a mistura de formatos. Quando se pensa que está assistindo um espetáculo sóbrio, com poucas pitadas de humor, eis que surgem três personagens fantásticos, que trazem um aspecto lúdico para a história, com interferências cômicas e delicadas – nada de escrachado.

As histórias centrais tratam de perdas difíceis (da esposa e dos filhos) e a partir delas, os personagens revelam sua humanidade e sensibilidade, características muito bem camufladas, sufocadas e jogadas pra debaixo do tapete. E surgem os questionamentos: quando foi que começaram a deixar pra trás os desejos e os sonhos e viver no piloto automático? Quando foi que optaram por viver na inércia e se acomodaram de vez?

Bonito é ver o Velho, personagem previsível, automático, sem sal, de entonação cansativa, se desenvolver, ganhar cor, crescer, se humanizar, sofrer e seria exagero dizer? brilhar no palco, simbolizando essa libertação da rotina, do feijão com arroz, da vida vazia, sem propósito. Se é possível encontrar um propósito, obedecer desejos e ser feliz…não sei. Mas esse é um daqueles espetáculos que você sai com energia e vontade de mudar tudo de lugar pra deixar a vida melhor, sabe?

Réquiem

De sextas e sábado, às 21h, até 30 de agosto

R$ 10 – R$ 5 (meia-entrada)

Funarte: Alameda Nothmann, 1.058, metrô Marechal Deodoro – Tel: 3662-5177

Fotos: Divulgação

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Drinks

Uma resposta para “Réquiem

  1. Daniela

    Opa! Reconheço algumas dessas impressões hein 😉

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s